Desabafo

O que aprendi com 2015

terça-feira, fevereiro 09, 2016

Estava vendo os meus rascunhos do blog e encontrei esse post. Ele foi escrito no final do ano passado, fala tanto de mim que eu pensei muitas vezes antes de decidir postar. Acontece que eu gosto muito de sempre reler o que escrevi, relembrar o que se passou comigo no passado, e concluí que ler aqui no blog me faria ver que eu fui capaz de passar por tudo e conseguir ficar bem, sem receio. Algumas alterações temporais foram adaptadas para o momento de agora, mas a essência do post não mudou.


Antes de começar gostaria de lembrar que esse blog é pessoal, que na maioria das vezes aqui eu compartilho coisas da minha vida com quem estiver disposto a ler. Muitos posts são para o leitor ganhar algo novo, como uma indicação de música, filme, livro, textos... Mas muitos outros são uma extensão mínima do que se passa na minha cabeça e esse post aqui, agora, é um desses.

Drama

O quarto passo.

sexta-feira, agosto 14, 2015


Pontualmente, às seis horas e três minutos, ele acordou para começar a sua rotina em uma chuvosa quarta-feira, daquelas que torcem o ânimo dos mais contentados, e abriu a janela de alumínio. Sentiu a brisa fresca de uma atmosfera triste, mensagem da natureza descontente, e percebeu que o desequilíbrio era presente além do corpo que controlava. Talvez, com o tempo, se atrofiavam os pensamentos e o raciocínio já não permanecia o mesmo. De que maneira ele contribuiria com o todo se a sua parte estava despedaçada? Seu questionamento durou tanto quanto o desconforto térmico originado ao sair debaixo das cobertas, e logo seguiu em direção ao óbvio.

A água fluindo pelo lavabo tentava acordar o belo adormecido, sendo ele um contorno social ou apenas pessoal, mas isso já não importava. Quem contemplaria um semblante cansado de ser ignorado? A louça tinha a cor de seus olhos, ao passo que brilhava a cada momento que tinha a chance de tornar-se uma utilidade na pureza do outro, tornando-se limpa também. A diferença é que esse é seu ciclo, e o indivíduo jamais se encontraria assim, pois vivia na abnegação de se importar somente com a humanidade ao seu redor. Esgotara-se na tentativa de fazer o seu melhor para o melhor de todo o mundo, e com isso seu combustível entrara na reserva. Cansou-se, e seguiu em direção à si mesmo.

A bebida estrategicamente construída para arregalar seus olhos foi manejada por mãos experientes e fortes. Num minucioso gesto, pingou um tanto desprezível de leite na xícara cheia de café, sem nada de açúcar, amargo como vinham se tornando os seus relacionamentos. Esquecimentos, afastamentos, besteirinhas que faziam com que alguém tão caloroso quanto ele se sentisse sozinho em meio a sete bilhões de pessoas. Nunca imaginou que palavras pudessem ser tão vazias e insignificantes como sentira naquele momento. Engoliu o mini sanduíche como costumava engolir desculpas e mentiras, e garganta abaixo desceu o perfeito engano para a fome como desciam os elogios para o ego. E seguiu em direção à morte.

Percebeu, caminhando ao destino seu de cada dia, que por osmose também poderia viver diferente. Notou, pacificamente, que poderia harmoniosamente conviver com a turbulência da sociedade, que o prendia no seu universo em constante encolhimento. Para isso, bastaria aceitar suas vontades, desejos e sonhos, e parar de se limitar diante de qualquer dificuldade ou medo de decepcionar. Lutar, até a última gota de suor, talvez lhe traria aquilo que ansiava há tempos, e resolveu então tentar. Sangrar, até se sentir vivo, talvez lhe faria aprender a amar, e resolveu então agir. Deu meia volta na decisão de continuar na mesma para não precisar ter que decidir mais nada dali pra frente. E então, em sua própria essência, se entregou ao verdadeiro sonho com a mais pura naturalidade. E seguiu em direção à vida.


M.

Drama

Comenta-se... e por dentro se corrompe.

domingo, outubro 05, 2014


Comenta-se lá fora que ele agia de forma egoísta. Mal sabem os outros que tudo que ele tinha era dúvida. Dúvida do que podia fazer para mudar o que lhe incomodava e para permanecer confortável em sua casa e em sua vida, mesmo não sendo o padrão daquilo que seus semelhantes mais desejavam ou que achavam que era pertinente desejar. Estava exausto ao se sentir mais uma peça de xadrez presa num tabuleiro - o cenário que deveria ser de seu total controle estava aos poucos se transformado em manipulações inteligentes nas mãos dos que enxergam horizontes maiores que os seus. Estava cansado de todos pregarem algo que, na prática, nunca era feito e mais cansado ficava quando essas mesmas pessoas lhe opinavam invadindo suas decisões. Conturbava-se então, fortemente, ao ser cobrado e obrigado a tomar uma dessas decisões agora, quando queria apenas dormir e acordar em outro planeta.

O momento é agora, dizia a senhora de idade que de vida sofrida sabia o que talvez daria certo e o que talvez jamais daria. Ele não queria uma vida de retalhos como a dela, então lutava até a última gota de suor para que seu social, cultural e emocional permanecessem intactos. Afinal, para garantir seus sonhos, esses pequenos detalhes construiriam a perfeita "base" para que então pudesse se relacionar perfeitamente com a sociedade, sendo um bom amigo, um bom companheiro, um bom marido, um bom pai. A senhora não o contou que existem pessoas que passam pelo que ele passa e que é possível encontrá-las e, por conseguinte, chamá-las de semelhante. Pois para elas não importará o sacrifício, mas sim a vontade; não importará milhões de palavras inteiras, mas sim algumas pela metade; não importará quem ele tentou ser de mentira, mas sim ele de verdade.

Em meio a turbilhões de desânimo, angústia, glórias e sorrisos, parava muitas vezes e, imóvel, não sabia quem era, o que queria ou o que fazer com aquela fração de segundo de vida. Mesmo sem se mexer, o tempo não parava, corria em suas veias e pulsava em seu coração, transbordando em salivas o grito exposto de desespero e indignação. Pobre coitado. Além de si mesmo, tinha que cuidar dos outros e, se não o fizesse, continuaria se cobrando. Por que ele não poderia desencanar, como fizeram alguns de seus amigos e seu pai? Por que ele não poderia desafrouxar o nó de sua garganta e vomitar palavras sinceras para qualquer um que passasse e pudesse ouvir? E por que não para as pessoas que tinham que ouvir? Seu desabafo era silencioso, em forma de palavras pela metade e em canções nunca registradas.

Comenta-se lá dentro que caía no mais profundo abismo ao ver sua vida aos poucos despedaçar e ter que se preocupar com coisa demais.

E o que ele só queria mesmo era um pouquinho de paz.

M.

Eu escrevo

O Palhaço (#PHPoemaDay - Dia 30)

domingo, agosto 10, 2014

O circo que vai
o circo que volta
aprende no caminho
que quem vive sozinho
tão triste se encontra
pois não há picadeiro
que sirva de palco
pra vida medíocre
de um simples palhaço
ridicularizado por ser
ou não ser, só fingir ser
alegre e feliz
e gostar de viver.

Mas um dia a hora chega
e mesmo havendo esperança
o palhaço se entrega
e espalha por terra
migalhas de risos
e água de lágrimas,
sem ninguém avisar,
sorrateiramente.
Deixa que vai
o circo que volta
e segue seu caminho
deixando o palhaço,
seguindo sozinho.

 [Esse post faz parte do desafio #PHPoemaday. Para ver os outros textos do desafio, clique aqui.]
Tema  30: Um Circo.

Para ler

Por onde quiser (#PHPoemaDay - Dia 28)

domingo, agosto 10, 2014

Passos
passam
pessoas
perdidas
possessas
por onde
quiser

Arranhos
no céu
estranhos
na terra
correndo
por onde
quiser

A pressa
domina
viola
na esquina
ecoando
por onde
quiser

Na cidade
do caos
do amor
e do medo
vivendo
por onde
quiser

Errantes
sem sapatos
de saltos
ou chinelos
querendo viver
por onde
quiser.

 [Esse post faz parte do desafio #PHPoemaday. Para ver os outros textos do desafio, clique aqui.]
Tema 28: Sua Cidade.

Eu escrevo

O meu Deserto (#PHPoemaDay - Dia 29)

domingo, agosto 10, 2014

Sem contar, a infinidade do tudo me traz um vazio tão grande quanto a ausência de coisas existentes no nada. Contando, eu não consigo chegar a nenhuma conclusão. A imensidão da vida, a incerteza da origem da existência dela mesma, corrói os meus mais ínfimos pensamentos. Entretanto, o café quentinho, forte o suficiente para instigar a energia e minha criatividade, trazem ilusórias lembranças - coisas que nem aconteceram - revelando bons enredos para alguns livros. Uma pena eu não ser um escritor! Seria interessante refletir sobre a origem de tudo - partindo do pressuposto de que o tudo existe - e relatar isso à humanidade. Claramente muitos já o fizeram, mas quando partimos do mesmo zero podemos concluir alguns pequeníssimos detalhes diferentes que antes não foram pensados. Se bem que, escritor ou não, sou humano e pensador, já reflito tudo isso e cada vez mais me sinto ignorante nesse universo, nessa vida. Na verdade, alguns pensamentos vazios se misturam com conteúdos interessantes, porém indecifráveis por si só, formando uma confusão praticamente homogênea. Que faço eu, eu mesmo?

Questionar a quantidade de sais ou grãos de areia em um deserto, ou tentar ao menos separar os dois, é tarefa para quem preocupa-se com algumas coisas que outras pessoas consideram inútil. O que seria inútil? A busca pelas questões não óbvias ou curiosidades sobre a origem de algo, ou buscar pelo sucesso pessoal que traz admiração externa e fanáticos oportunistas? Acredito não existir resposta certa para essa questão, já que vivências e criação influenciam nas nossas decisões, mas onde encaixamos a razão e o bom senso, segundo Kant? Eu não sei, realmente, o que eu posso fazer para saciar essa angústia, essa dúvida sobre mim mesmo, sobre aqueles que amo e sobre a natureza que venero e abriga meu erros e tropeços. Eu me olho no espelho, vejo uma imagem um pouco diferente de ontem, um pouco igual, um tanto comum. Porém não reconheço, depois de cada tombo ou andar elevado, a mesma pessoa, os mesmos pensamentos. Dói, mas constrói o meu presente que sonha com meu futuro, mesmo que, de fora, pareça um vazio em busca de respostas para as questões mais bizarras - ou mais inconvenientes. Como poder matar a sede que sinto como se estivesse vivido a vida inteira em um deserto? Há um deserto dentro de mim esperando uma chuva de explicações no calor do meu momento e na frieza da minha alma.

 [Esse post faz parte do desafio #PHPoemaday. Para ver os outros textos do desafio, clique aqui.]
Tema 29: O Deserto.

Eu escrevo

100 anos de solidão (#PHPoemaDay - Dia 27)

domingo, agosto 10, 2014

Contarei até cem
cada ano que se passar
e não tiver você aqui

Se por acaso então chegar
ao centésimo pesar
posso encerrar ou ser feliz

Como se houvesse escolha
viveria até o último segundo
conservando o meu coração

Aprenderia então a viver
pois quem não aprenderia
com 100 anos de solidão?

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Tema 27: 100 anos de solidão.

Eu escrevo

Personagens reais (#PHPoemaDay - Dia 26)

domingo, agosto 10, 2014

Depois de tanto ler, passei a pensar sobre mim mesma. Procurei muitos heróis por aí durante a trajetória desse caminho cansativo que é a vida. Mas quer saber? Ninguém além de mim pode ser capaz, em meu particular enredo, de poder salvar tudo e todos de todo o perigo ao meu alcance - e isso inclui salvar eu de mim mesmo. É bizarro como a vida leva rumos inesperados, basta imaginarmos nossa reação ao observar o resultado de certos intervalos - tipo uns seis meses - e veremos que quase nunca o que dissemos que queríamos estar fazendo há 5 anos atrás se tornou realidade. Em partes, isso não é tão ruim, pois espera-se (não esperamos?) amadurecer cada vez mais um tiquinho de nossa mente, corpo e espírito, adquirindo o mínimo de sabedoria ou o que comumente chamamos de "experiência". A real é que, mesmo sabendo que tudo pode mudar, principalmente nós mesmos, é triste olhar para trás e ter a sensação de que falhamos ou fomos derrotados. O bom é que ainda assim temos, a partir do momento dessa percepção, tempo para fazermos história em nossa própria vida e deixar nosso "eu" do futuro um pouco mais satisfeitos. Se pararmos de procurar protagonistas lá fora e enxerga-los dentro de nós mesmos, podemos ser o personagem histórico perfeito para não nos arrependermos de termos nascido. Isso pode fazer valer, e muito, já que acredito que o primeiro passo das melhores conquistas mundiais surgiram de sonhos e atitudes de um único ser. E sim, com isso, podemos fazer o lugar que estamos melhor, plantando coragem, proatividade e vontade de viver e fazer a coisa acontecer. 

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Tema 26: Personagem Histórico.

Eu escrevo

Incomum (#PHPoemaday - Dia 25)

segunda-feira, agosto 04, 2014

Incomum,
que ainda não nasceu;
e que procura
e ainda não encontrou;
quem se perde
no que não morreu
mas que busca,
no que não aconteceu,
o que queria, de fato,
que tivesse acontecido.

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Tema 25: Narrador Incomum.

Eu escrevo

Tantas (#PHPoemaday - Dia 24)

segunda-feira, agosto 04, 2014

São tantas a fotos
Tantas palavras
Tantas tristezas
Tantas risadas

Tantas mentiras
Tantas verdades
Tantas conversas
Tantas metades

Tantas virtudes
Tantas belezas
Tantas coragens
Tantas histórias

De um só momento,
Tantas memórias.
Tantas...

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Tema 24: Uma memória antiga.

Eu escrevo

Perfume (#PHPoemaday - Dia 23)

segunda-feira, agosto 04, 2014

Teu riso é como a rosa
que instiga pela beleza
Tem aroma que me agrada
Tem romance com clareza
Tem perigo disfarçado
em corpo inteiro, ou em pedaços.
E teu aroma, convidativo,
faz sentir-me ao vê-la, abraçado.

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Tema 23: Um cheiro.

Eu escrevo

Cotidiano (#PHPoemaday - Dia 22)

segunda-feira, agosto 04, 2014

Eu conto as horas, talvez os dias, e até semanas, pra que possamos surtir efeito. Eu acordo, faço feio, porque quero e não consigo, alcançar-te não é tão fácil. Meio dia de solidão, sofrimento calado. Não imagina que te imagino, não se cansa como eu canso em ver estar tudo no passado. Te deixar lá dói, e o café da tarde não é mais o mesmo. Não me liga, não tem horas de conversa, só eu aqui imaginando e você me esquecendo. Seis da tarde, eles chegam, você vai. Vida cheia, vida vazia, gente aqui e pessoas aí e eu não estou onde eu queria estar. Estrela cadente, fecho os olhos, respiro fundo e peço para vir me buscar. Meia noite, eu sonhando, você vivendo e, enquanto eu não durmo, rezo para que faça logo parte de meu cotidiano.

 [Esse post faz parte do desafio #PHPoemaday. Para ver os outros textos do desafio, clique aqui.]
Tema 22: Cotidiano.

Eu escrevo

Transeuntes (#PHPoemaday - Dia 21)

segunda-feira, agosto 04, 2014

Giro em meia
volta inteira.
Grito baixo,
alto encaixo
sonhos tristes,
alegres vidas,
que do contrário,
despercebidas,
seguem o fluxo.
Gira o mundo,
não se encontra
em nenhum lugar.
Estamos aqui,
estamos seguro,
estamos aonde
queríamos estar.
Rota reta:
transeuntes
se incomodam
por não chegar;
giram planos,
ou vetores,
seus senhores
e seu lugar.
Veem luas,
veem ruas,
calçadas largas
a transitar.
Transeuntes
se incomodam
por seu destino
não encontrar
e sua imagem
gira em torno
de seu astro
girassol.

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Tema 21: Girassol.

Eu escrevo

Sonho em fragmentos (#PHPoemaday - Dia 20)

segunda-feira, agosto 04, 2014

Confusão,
muita confusão,
diga-se de passagem.
Frio e chuva,
cachoeira e brasileiros
prosseguindo em viagem.
Medo assíduo,
estranhas criaturas
de olhos azuis e sem pupila.
Sim, assustam,
sem nem enxergar,
o humano que basta respirar
para que, então,
sintam sua presença
e enfim possam atacar,
não lembro como,
pois de tanto de medo,
não tenho como lembrar.
Mas foi cômico,
um tanto quanto bizarro,
me agarrei em meus amigos,
nos escondemos,
nos abraçamos, sem esperança
ficamos. E aí eu acordei.

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Tema 20: Seu sonho de hoje.

Eu escrevo

Um rato sem recato (#PHPoemaday - Dia 19)

segunda-feira, agosto 04, 2014

Quero dizer, minha senhora
Que você não vai me entender
Passo rápido, sem delongas
Quem sabe alguém entreter

Não se poupe, ou se esconda
Nem em cadeira precisa subir
Sou bonzinho, muito inocente
Só quero o meu queijo conseguir

E o gato - deixe o gato!
Ele não vai me alcançar!
Sou esperto, eu me estico,
e corro muito sem me cansar

Quero apenas, minha senhora,
que não se acanhe em me adotar
essa fugacidade em mim devora
a vontade de te conquistar!

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Tema 19: Animal protagonista.

Eu escrevo

Um encontro inopinado (#PHPoemaday - Dia 18)

domingo, julho 06, 2014

- Oi, bom dia - disse o rapaz.

- Oi - respondeu a garota.
- Posso sentar-me aqui ao seu lado?
- Está vago, fique à vontade.
- O que está lendo?
- O Mundo de Sophia, de Jostein Gaarder.
- Um de meus livros preferidos! Leio regularmente.
- Legal. - Sem ter muito o que falar. - É a minha primeira vez.
- Legal.

Durante a viagem, o rapaz escrevia em um pequeno pedaço de papel amassado. Dobrou-o, ao terminar, até atingir o menor tamanho possível.

- Minha parada é a próxima. Adorei te conhecer.

Deixou no colo da garota o pequeno bilhete com os dizeres:
Me encantei com sua beleza. Pura, serena e curiosa. Espero encontrá-la novamente. E que seus cachinhos dourados permaneçam iluminando seu rosto e que você passa a ocupar seu lugar na ponta dos pelos do coelho.
Seguiu sem suspense.

 [Esse post faz parte do desafio #PHPoemaday. Para ver os outros textos do desafio, clique aqui.]
Tema 18: Só diálogos.

Eu escrevo

Medo (#PHPoemaday - Dia 16)

domingo, julho 06, 2014

Um medo, dois sonhos, três desejos.
Palavras ao vento, borboletas no estômago,
exprimindo em mim todo o sentimento
imensurável, afagado no âmago,

De perder e não conseguir aprender;
De ganhar e não conseguir manter;
De conquistar e não conseguir me conter;
De não conseguir te fazer feliz.

E seguir, sozinha, arrependida de não ter vivido.

 [Esse post faz parte do desafio #PHPoemaday. Para ver os outros textos do desafio, clique aqui.]
Tema 16: Um medo.

Eu escrevo

Reprimida (#PHPoemaday - Dia 14)

domingo, julho 06, 2014

Eu já morei com o desaforo
e engoli muitos pepinos.
Engasguei com expressões inauditas.

Tenho papas na língua
e meus cotovelos são mudos.
Me expressei comigo escondida.

Sou assim meio sozinha
e ouço apenas, nunca falo.
Transbordei-me com a minha escrita.

Esvaziei-me quando sorri
ou quando chorei para mim mesmo.
Completei-me de palavras contidas.

Eu sussurrei com o meu canto
e os meus gritos foram silenciosos.
Cresci e vivi assim, tão reprimida.

 [Esse post faz parte do desafio #PHPoemaday. Para ver os outros textos do desafio, clique aqui.]
Tema 14: Tudo o que você queria ter dito.

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