Eu escrevo

O Palhaço (#PHPoemaDay - Dia 30)

domingo, agosto 10, 2014

O circo que vai
o circo que volta
aprende no caminho
que quem vive sozinho
tão triste se encontra
pois não há picadeiro
que sirva de palco
pra vida medíocre
de um simples palhaço
ridicularizado por ser
ou não ser, só fingir ser
alegre e feliz
e gostar de viver.

Mas um dia a hora chega
e mesmo havendo esperança
o palhaço se entrega
e espalha por terra
migalhas de risos
e água de lágrimas,
sem ninguém avisar,
sorrateiramente.
Deixa que vai
o circo que volta
e segue seu caminho
deixando o palhaço,
seguindo sozinho.

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Tema  30: Um Circo.

Para ler

Por onde quiser (#PHPoemaDay - Dia 28)

domingo, agosto 10, 2014

Passos
passam
pessoas
perdidas
possessas
por onde
quiser

Arranhos
no céu
estranhos
na terra
correndo
por onde
quiser

A pressa
domina
viola
na esquina
ecoando
por onde
quiser

Na cidade
do caos
do amor
e do medo
vivendo
por onde
quiser

Errantes
sem sapatos
de saltos
ou chinelos
querendo viver
por onde
quiser.

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Tema 28: Sua Cidade.

Eu escrevo

O meu Deserto (#PHPoemaDay - Dia 29)

domingo, agosto 10, 2014

Sem contar, a infinidade do tudo me traz um vazio tão grande quanto a ausência de coisas existentes no nada. Contando, eu não consigo chegar a nenhuma conclusão. A imensidão da vida, a incerteza da origem da existência dela mesma, corrói os meus mais ínfimos pensamentos. Entretanto, o café quentinho, forte o suficiente para instigar a energia e minha criatividade, trazem ilusórias lembranças - coisas que nem aconteceram - revelando bons enredos para alguns livros. Uma pena eu não ser um escritor! Seria interessante refletir sobre a origem de tudo - partindo do pressuposto de que o tudo existe - e relatar isso à humanidade. Claramente muitos já o fizeram, mas quando partimos do mesmo zero podemos concluir alguns pequeníssimos detalhes diferentes que antes não foram pensados. Se bem que, escritor ou não, sou humano e pensador, já reflito tudo isso e cada vez mais me sinto ignorante nesse universo, nessa vida. Na verdade, alguns pensamentos vazios se misturam com conteúdos interessantes, porém indecifráveis por si só, formando uma confusão praticamente homogênea. Que faço eu, eu mesmo?

Questionar a quantidade de sais ou grãos de areia em um deserto, ou tentar ao menos separar os dois, é tarefa para quem preocupa-se com algumas coisas que outras pessoas consideram inútil. O que seria inútil? A busca pelas questões não óbvias ou curiosidades sobre a origem de algo, ou buscar pelo sucesso pessoal que traz admiração externa e fanáticos oportunistas? Acredito não existir resposta certa para essa questão, já que vivências e criação influenciam nas nossas decisões, mas onde encaixamos a razão e o bom senso, segundo Kant? Eu não sei, realmente, o que eu posso fazer para saciar essa angústia, essa dúvida sobre mim mesmo, sobre aqueles que amo e sobre a natureza que venero e abriga meu erros e tropeços. Eu me olho no espelho, vejo uma imagem um pouco diferente de ontem, um pouco igual, um tanto comum. Porém não reconheço, depois de cada tombo ou andar elevado, a mesma pessoa, os mesmos pensamentos. Dói, mas constrói o meu presente que sonha com meu futuro, mesmo que, de fora, pareça um vazio em busca de respostas para as questões mais bizarras - ou mais inconvenientes. Como poder matar a sede que sinto como se estivesse vivido a vida inteira em um deserto? Há um deserto dentro de mim esperando uma chuva de explicações no calor do meu momento e na frieza da minha alma.

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Tema 29: O Deserto.

Eu escrevo

100 anos de solidão (#PHPoemaDay - Dia 27)

domingo, agosto 10, 2014

Contarei até cem
cada ano que se passar
e não tiver você aqui

Se por acaso então chegar
ao centésimo pesar
posso encerrar ou ser feliz

Como se houvesse escolha
viveria até o último segundo
conservando o meu coração

Aprenderia então a viver
pois quem não aprenderia
com 100 anos de solidão?

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Tema 27: 100 anos de solidão.

Eu escrevo

Personagens reais (#PHPoemaDay - Dia 26)

domingo, agosto 10, 2014

Depois de tanto ler, passei a pensar sobre mim mesma. Procurei muitos heróis por aí durante a trajetória desse caminho cansativo que é a vida. Mas quer saber? Ninguém além de mim pode ser capaz, em meu particular enredo, de poder salvar tudo e todos de todo o perigo ao meu alcance - e isso inclui salvar eu de mim mesmo. É bizarro como a vida leva rumos inesperados, basta imaginarmos nossa reação ao observar o resultado de certos intervalos - tipo uns seis meses - e veremos que quase nunca o que dissemos que queríamos estar fazendo há 5 anos atrás se tornou realidade. Em partes, isso não é tão ruim, pois espera-se (não esperamos?) amadurecer cada vez mais um tiquinho de nossa mente, corpo e espírito, adquirindo o mínimo de sabedoria ou o que comumente chamamos de "experiência". A real é que, mesmo sabendo que tudo pode mudar, principalmente nós mesmos, é triste olhar para trás e ter a sensação de que falhamos ou fomos derrotados. O bom é que ainda assim temos, a partir do momento dessa percepção, tempo para fazermos história em nossa própria vida e deixar nosso "eu" do futuro um pouco mais satisfeitos. Se pararmos de procurar protagonistas lá fora e enxerga-los dentro de nós mesmos, podemos ser o personagem histórico perfeito para não nos arrependermos de termos nascido. Isso pode fazer valer, e muito, já que acredito que o primeiro passo das melhores conquistas mundiais surgiram de sonhos e atitudes de um único ser. E sim, com isso, podemos fazer o lugar que estamos melhor, plantando coragem, proatividade e vontade de viver e fazer a coisa acontecer. 

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Tema 26: Personagem Histórico.

Eu escrevo

Incomum (#PHPoemaday - Dia 25)

segunda-feira, agosto 04, 2014

Incomum,
que ainda não nasceu;
e que procura
e ainda não encontrou;
quem se perde
no que não morreu
mas que busca,
no que não aconteceu,
o que queria, de fato,
que tivesse acontecido.

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Tema 25: Narrador Incomum.

Eu escrevo

Tantas (#PHPoemaday - Dia 24)

segunda-feira, agosto 04, 2014

São tantas a fotos
Tantas palavras
Tantas tristezas
Tantas risadas

Tantas mentiras
Tantas verdades
Tantas conversas
Tantas metades

Tantas virtudes
Tantas belezas
Tantas coragens
Tantas histórias

De um só momento,
Tantas memórias.
Tantas...

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Tema 24: Uma memória antiga.

Eu escrevo

Perfume (#PHPoemaday - Dia 23)

segunda-feira, agosto 04, 2014

Teu riso é como a rosa
que instiga pela beleza
Tem aroma que me agrada
Tem romance com clareza
Tem perigo disfarçado
em corpo inteiro, ou em pedaços.
E teu aroma, convidativo,
faz sentir-me ao vê-la, abraçado.

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Tema 23: Um cheiro.

Eu escrevo

Cotidiano (#PHPoemaday - Dia 22)

segunda-feira, agosto 04, 2014

Eu conto as horas, talvez os dias, e até semanas, pra que possamos surtir efeito. Eu acordo, faço feio, porque quero e não consigo, alcançar-te não é tão fácil. Meio dia de solidão, sofrimento calado. Não imagina que te imagino, não se cansa como eu canso em ver estar tudo no passado. Te deixar lá dói, e o café da tarde não é mais o mesmo. Não me liga, não tem horas de conversa, só eu aqui imaginando e você me esquecendo. Seis da tarde, eles chegam, você vai. Vida cheia, vida vazia, gente aqui e pessoas aí e eu não estou onde eu queria estar. Estrela cadente, fecho os olhos, respiro fundo e peço para vir me buscar. Meia noite, eu sonhando, você vivendo e, enquanto eu não durmo, rezo para que faça logo parte de meu cotidiano.

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Tema 22: Cotidiano.

Eu escrevo

Transeuntes (#PHPoemaday - Dia 21)

segunda-feira, agosto 04, 2014

Giro em meia
volta inteira.
Grito baixo,
alto encaixo
sonhos tristes,
alegres vidas,
que do contrário,
despercebidas,
seguem o fluxo.
Gira o mundo,
não se encontra
em nenhum lugar.
Estamos aqui,
estamos seguro,
estamos aonde
queríamos estar.
Rota reta:
transeuntes
se incomodam
por não chegar;
giram planos,
ou vetores,
seus senhores
e seu lugar.
Veem luas,
veem ruas,
calçadas largas
a transitar.
Transeuntes
se incomodam
por seu destino
não encontrar
e sua imagem
gira em torno
de seu astro
girassol.

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Tema 21: Girassol.

Eu escrevo

Sonho em fragmentos (#PHPoemaday - Dia 20)

segunda-feira, agosto 04, 2014

Confusão,
muita confusão,
diga-se de passagem.
Frio e chuva,
cachoeira e brasileiros
prosseguindo em viagem.
Medo assíduo,
estranhas criaturas
de olhos azuis e sem pupila.
Sim, assustam,
sem nem enxergar,
o humano que basta respirar
para que, então,
sintam sua presença
e enfim possam atacar,
não lembro como,
pois de tanto de medo,
não tenho como lembrar.
Mas foi cômico,
um tanto quanto bizarro,
me agarrei em meus amigos,
nos escondemos,
nos abraçamos, sem esperança
ficamos. E aí eu acordei.

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Tema 20: Seu sonho de hoje.

Eu escrevo

Um rato sem recato (#PHPoemaday - Dia 19)

segunda-feira, agosto 04, 2014

Quero dizer, minha senhora
Que você não vai me entender
Passo rápido, sem delongas
Quem sabe alguém entreter

Não se poupe, ou se esconda
Nem em cadeira precisa subir
Sou bonzinho, muito inocente
Só quero o meu queijo conseguir

E o gato - deixe o gato!
Ele não vai me alcançar!
Sou esperto, eu me estico,
e corro muito sem me cansar

Quero apenas, minha senhora,
que não se acanhe em me adotar
essa fugacidade em mim devora
a vontade de te conquistar!

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Tema 19: Animal protagonista.

Eu escrevo

Um encontro inopinado (#PHPoemaday - Dia 18)

domingo, julho 06, 2014

- Oi, bom dia - disse o rapaz.

- Oi - respondeu a garota.
- Posso sentar-me aqui ao seu lado?
- Está vago, fique à vontade.
- O que está lendo?
- O Mundo de Sophia, de Jostein Gaarder.
- Um de meus livros preferidos! Leio regularmente.
- Legal. - Sem ter muito o que falar. - É a minha primeira vez.
- Legal.

Durante a viagem, o rapaz escrevia em um pequeno pedaço de papel amassado. Dobrou-o, ao terminar, até atingir o menor tamanho possível.

- Minha parada é a próxima. Adorei te conhecer.

Deixou no colo da garota o pequeno bilhete com os dizeres:
Me encantei com sua beleza. Pura, serena e curiosa. Espero encontrá-la novamente. E que seus cachinhos dourados permaneçam iluminando seu rosto e que você passa a ocupar seu lugar na ponta dos pelos do coelho.
Seguiu sem suspense.

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Tema 18: Só diálogos.

Eu escrevo

Medo (#PHPoemaday - Dia 16)

domingo, julho 06, 2014

Um medo, dois sonhos, três desejos.
Palavras ao vento, borboletas no estômago,
exprimindo em mim todo o sentimento
imensurável, afagado no âmago,

De perder e não conseguir aprender;
De ganhar e não conseguir manter;
De conquistar e não conseguir me conter;
De não conseguir te fazer feliz.

E seguir, sozinha, arrependida de não ter vivido.

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Tema 16: Um medo.

Eu escrevo

Reprimida (#PHPoemaday - Dia 14)

domingo, julho 06, 2014

Eu já morei com o desaforo
e engoli muitos pepinos.
Engasguei com expressões inauditas.

Tenho papas na língua
e meus cotovelos são mudos.
Me expressei comigo escondida.

Sou assim meio sozinha
e ouço apenas, nunca falo.
Transbordei-me com a minha escrita.

Esvaziei-me quando sorri
ou quando chorei para mim mesmo.
Completei-me de palavras contidas.

Eu sussurrei com o meu canto
e os meus gritos foram silenciosos.
Cresci e vivi assim, tão reprimida.

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Tema 14: Tudo o que você queria ter dito.

Eu escrevo

Sapiência (#PHPoemaday - Dia 13)

domingo, julho 06, 2014

Sentada na balança
Pensativa por ser e estar
ou até mesmo desacreditar
na sociedade ao seu redor

De pé uma criança
Cansada de apenas brincar
à procura sem encontrar
respostas por seu clamor

E não adianta reclamar, ela não vai crescer
Se jamais aceitar que é impossível total entendimento
da vida, do universo e tudo o mais

Mas se questionar, pode sim sempre aprender
E como a Sophia quando correu atrás do conhecimento
verá que sapiência nunca é demais

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Tema 13: Personagem Literário.


Eu escrevo

12 de junho de 2014 (#PHPoemaday - Dia 12)

domingo, julho 06, 2014

João ficou em casa. Sua presidente decretou feriado nacional, afinal, naquele dia começaria a copa do mundo e sua cidade seria sede da abertura. Acordou cedo, como de costume, pois morava em um simples condomínio com as crianças mais ativas e espertas que já conheceu, ainda mais em dia de jogo da seleção brasileira. Não tinha muita escolha, levantou-se de sua cama, abriu todas as janelas e deixou o clima entrar. Desde sempre gostara de futebol, mas agora, mais do que nunca, sentia um misto de medo, desespero, ansiedade e raiva de tudo o que estava acontecendo. Começou o dia tentando, "quem sabe eu não me anime", pensou.

Maria não teve tanta sorte. Também levantou cedo como de costume, mas isso só porque seus clientes não estavam de folga, então teria sim que estar de prontidão. Se o telefone do escritório tocasse, muito perderia financeiramente, pouco de coragem teria de arriscar assim. Ela não estava muito contente com a situação de seu país, por isso, todo o alvoroço existente nas pessoas em um dia como aquele era praticamente inexistente nela. Fora trabalhar de preto, era esse o reflexo do seu humor, mas tinha esperança de que ao chegar em casa, algo tivesse mudado. E trocaria de roupa.

O avanço do dia para eles não foi muito diferente do alcançado por outras famílias. João recebeu os parentes com o sorriso mostrando os dentes que amarelo estavam de tanto café. Seu vício nocivo o fazia permanecer de pé e querer seguir durante aquele dia. O que mais queria? Talvez um sonho intenso, um raio vívido de amor em que nenhum setor social fosse ignorado e desprezado. Maria, por sua vez, ficou até o último segundo no seu carma e seu cotidiano, incomodando-se com o amarelo em primeiro plano. Destacava-se com sua vestimenta, então correu para casa refletindo o porquê de sua mente tormenta ao som do mar e à luz do céu profundo. Estava um pouco mais animada, mais ainda continuava desiludida.

Ao verem seus familiares, e a consequente festa que faziam, ambos por metade se renderam. João colaborou, cozinhou e calorosamente agradou suas visitas e foi a companhia que esperavam que ele fosse. Maria vestiu a camisa, abriu o sorriso e esqueceu das obrigações cotidianas, abraçando sua família transbordava simpatia. Maria e João comemoraram o resultado de 3x1, mas sentiam que seus comportamentos eram grandemente inadequados. João e Maria sofriam por dentro, pois se consideravam traindo uma nação por fazerem algo que não era nada de errado e, assim, se sentiram injustiçados.

No fim do dia, a imagem do Cruzeiro resplandeceu, e os dois terminaram o seu dia vivido estranhamente. Tão separados pela gigante natureza, mas tão conectados por enormes sentimentos: o de ser brasileiro, e o de viver e enxergar intensamente o drama brasileiro.

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Tema 12: Inspirado em uma música.

Eu escrevo

Sertão (#PHPoemaday - Dia 11)

quarta-feira, junho 11, 2014

Sertão
Que abriga o amor
Que me traz saudade
Do que ainda não conheci
Da sofrida infância
Da mãe trabalhadora
E dos avós batalhadores

Sertão
Que faz muito calor
Que me traz tranquilidade
Da horta que alimenta
Na chuva tão esperada
Ou do café no fim de tarde
na casa da vó.

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Tema 11: O Sertão.

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