O circo que vai
o circo que volta
aprende no caminho
que quem vive sozinho
tão triste se encontra
pois não há picadeiro
que sirva de palco
pra vida medÃocre
de um simples palhaço
ridicularizado por ser
ou não ser, só fingir ser
alegre e feliz
e gostar de viver.
Mas um dia a hora chega
e mesmo havendo esperança
o palhaço se entrega
e espalha por terra
migalhas de risos
e água de lágrimas,
sem ninguém avisar,
sorrateiramente.
Deixa que vai
o circo que volta
e segue seu caminho
deixando o palhaço,
seguindo sozinho.
Passos
passam
pessoas
perdidas
possessas
por onde
quiser
Arranhos
no céu
estranhos
na terra
correndo
por onde
quiser
A pressa
domina
viola
na esquina
ecoando
por onde
quiser
Na cidade
do caos
do amor
e do medo
vivendo
por onde
quiser
Errantes
sem sapatos
de saltos
ou chinelos
querendo viver
por onde
quiser.
Questionar a quantidade de sais ou grãos de areia em um deserto, ou tentar ao menos separar os dois, é tarefa para quem preocupa-se com algumas coisas que outras pessoas consideram inútil. O que seria inútil? A busca pelas questões não óbvias ou curiosidades sobre a origem de algo, ou buscar pelo sucesso pessoal que traz admiração externa e fanáticos oportunistas? Acredito não existir resposta certa para essa questão, já que vivências e criação influenciam nas nossas decisões, mas onde encaixamos a razão e o bom senso, segundo Kant? Eu não sei, realmente, o que eu posso fazer para saciar essa angústia, essa dúvida sobre mim mesmo, sobre aqueles que amo e sobre a natureza que venero e abriga meu erros e tropeços. Eu me olho no espelho, vejo uma imagem um pouco diferente de ontem, um pouco igual, um tanto comum. Porém não reconheço, depois de cada tombo ou andar elevado, a mesma pessoa, os mesmos pensamentos. Dói, mas constrói o meu presente que sonha com meu futuro, mesmo que, de fora, pareça um vazio em busca de respostas para as questões mais bizarras - ou mais inconvenientes. Como poder matar a sede que sinto como se estivesse vivido a vida inteira em um deserto? Há um deserto dentro de mim esperando uma chuva de explicações no calor do meu momento e na frieza da minha alma.
Contarei até cem
cada ano que se passar
e não tiver você aqui
Se por acaso então chegar
ao centésimo pesar
posso encerrar ou ser feliz
Como se houvesse escolha
viveria até o último segundo
conservando o meu coração
Aprenderia então a viver
pois quem não aprenderia
com 100 anos de solidão?
Incomum,
que ainda não nasceu;
e que procura
e ainda não encontrou;
quem se perde
no que não morreu
mas que busca,
no que não aconteceu,
o que queria, de fato,
que tivesse acontecido.
Teu riso é como a rosa
que instiga pela beleza
Tem aroma que me agrada
Tem romance com clareza
Tem perigo disfarçado
em corpo inteiro, ou em pedaços.
E teu aroma, convidativo,
faz sentir-me ao vê-la, abraçado.
Confusão,
muita confusão,
diga-se de passagem.
Frio e chuva,
cachoeira e brasileiros
prosseguindo em viagem.
Medo assÃduo,
estranhas criaturas
de olhos azuis e sem pupila.
Sim, assustam,
sem nem enxergar,
o humano que basta respirar
para que, então,
sintam sua presença
e enfim possam atacar,
não lembro como,
pois de tanto de medo,
não tenho como lembrar.
Mas foi cômico,
um tanto quanto bizarro,
me agarrei em meus amigos,
nos escondemos,
nos abraçamos, sem esperança
ficamos. E aà eu acordei.
Quero dizer, minha senhora
Que você não vai me entender
Passo rápido, sem delongas
Quem sabe alguém entreter
Não se poupe, ou se esconda
Nem em cadeira precisa subir
Sou bonzinho, muito inocente
Só quero o meu queijo conseguir
E o gato - deixe o gato!
Ele não vai me alcançar!
Sou esperto, eu me estico,
e corro muito sem me cansar
Quero apenas, minha senhora,
que não se acanhe em me adotar
essa fugacidade em mim devora
a vontade de te conquistar!
- Oi, bom dia - disse o rapaz.
Me encantei com sua beleza. Pura, serena e curiosa. Espero encontrá-la novamente. E que seus cachinhos dourados permaneçam iluminando seu rosto e que você passa a ocupar seu lugar na ponta dos pelos do coelho.Seguiu sem suspense.
Um sorriso e um abraço
Expressando e exaltando, no calor desse momento,
De meu amor cada pedaço
Um medo, dois sonhos, três desejos.
Palavras ao vento, borboletas no estômago,
exprimindo em mim todo o sentimento
imensurável, afagado no âmago,
De perder e não conseguir aprender;
De ganhar e não conseguir manter;
De conquistar e não conseguir me conter;
De não conseguir te fazer feliz.
E seguir, sozinha, arrependida de não ter vivido.
Perdida na falta de tolerância,
enquanto há importância maior no que se vê,
desiludo-me com toda essa ganância.
Eu já morei com o desaforo
e engoli muitos pepinos.
Engasguei com expressões inauditas.
Tenho papas na lÃngua
e meus cotovelos são mudos.
Me expressei comigo escondida.
Sou assim meio sozinha
e ouço apenas, nunca falo.
Transbordei-me com a minha escrita.
Esvaziei-me quando sorri
ou quando chorei para mim mesmo.
Completei-me de palavras contidas.
Eu sussurrei com o meu canto
e os meus gritos foram silenciosos.
Cresci e vivi assim, tão reprimida.
Sentada na balança
Pensativa por ser e estar
ou até mesmo desacreditar
na sociedade ao seu redor
De pé uma criança
Cansada de apenas brincar
à procura sem encontrar
respostas por seu clamor
E não adianta reclamar, ela não vai crescer
Se jamais aceitar que é impossÃvel total entendimento
da vida, do universo e tudo o mais
Mas se questionar, pode sim sempre aprender
E como a Sophia quando correu atrás do conhecimento
verá que sapiência nunca é demais
O avanço do dia para eles não foi muito diferente do alcançado por outras famÃlias. João recebeu os parentes com o sorriso mostrando os dentes que amarelo estavam de tanto café. Seu vÃcio nocivo o fazia permanecer de pé e querer seguir durante aquele dia. O que mais queria? Talvez um sonho intenso, um raio vÃvido de amor em que nenhum setor social fosse ignorado e desprezado. Maria, por sua vez, ficou até o último segundo no seu carma e seu cotidiano, incomodando-se com o amarelo em primeiro plano. Destacava-se com sua vestimenta, então correu para casa refletindo o porquê de sua mente tormenta ao som do mar e à luz do céu profundo. Estava um pouco mais animada, mais ainda continuava desiludida.
Ao verem seus familiares, e a consequente festa que faziam, ambos por metade se renderam. João colaborou, cozinhou e calorosamente agradou suas visitas e foi a companhia que esperavam que ele fosse. Maria vestiu a camisa, abriu o sorriso e esqueceu das obrigações cotidianas, abraçando sua famÃlia transbordava simpatia. Maria e João comemoraram o resultado de 3x1, mas sentiam que seus comportamentos eram grandemente inadequados. João e Maria sofriam por dentro, pois se consideravam traindo uma nação por fazerem algo que não era nada de errado e, assim, se sentiram injustiçados.
No fim do dia, a imagem do Cruzeiro resplandeceu, e os dois terminaram o seu dia vivido estranhamente. Tão separados pela gigante natureza, mas tão conectados por enormes sentimentos: o de ser brasileiro, e o de viver e enxergar intensamente o drama brasileiro.
Sertão
Que abriga o amor
Que me traz saudade
Do que ainda não conheci
Da sofrida infância
Da mãe trabalhadora
E dos avós batalhadores
Sertão
Que faz muito calor
Que me traz tranquilidade
Da horta que alimenta
Na chuva tão esperada
Ou do café no fim de tarde
na casa da vó.
